segunda-feira, 1 de setembro de 2025

1 de Setembro [de 1993]

 

Jantámos em Puerto del Carmen com Margot e Yechezkel, que assim se chamam os nossos visitantes. Continuo sem perceber o porquê desta viagem. Yechezkel parece ter decidido que eu sou uma autoridade em temas bíblicos, e faz-me perguntas inimagináveis. Eu mantenho-me dentro dos limites da chamada cultura geral. O cherne de Los Marineros não merecia esta conversa, se não é antes verdade que a conversa é que não mereceu o cherne. Em certa altura, cheguei a insinuar-lhes que o que os judeus são, afinal, é ateus. Depois, tendo pensado melhor, auxiliadas as faculdades cerebrais pelo calor da discussão e pelos vapores do vinho branco El Grifo, cheguei a uma conclusão, ousada e, porventura, definitiva: a de que os judeus puseram a história do povo judeu no lugar de um Deus que não esperam vir a conhecer, e vivem contentes assim, tanto nos triunfos como nas desgraças, sem medos de inferno nem anseios de paraíso.

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11 de Setembro [de 1993]

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