Contava-se que Rushdie falasse na assembleia do PEN Clube, e assim aconteceu. De improviso, à vontade, como quem nunca teve dúvidas sobre o fundo e as formas da questão. Foi aplaudidíssimo. Os delegados que depois pediram a palavra para perguntas também não deixaram dúvidas quanto à sua solidariedade pessoal e institucional. Mas a ironia trágica veio logo a seguir. Como se a situação de Rushdie não estivesse ali para servir-lhes de lição ou fosse uma mera hipótese académica, os escritores sérvios, bósnios e croatas presentes comportaram-se como inimigos mortais. Manda a verdade dizer, porém, que os provocadores foram os sérvios, quando pretenderam que passasse em silêncio uma proclamação de dois deles (não presentes em Santiago) apelando à morte de milhões de adversários. E depois dizem-me que exagero quando afirmo que o homem não tem remédio...
Colóquio com Torrente. O mano-a-mano correu como se esperava. Dissemos algumas coisas sérias, e, de caminho, divertimo-nos e divertimos a assistência que enchia o auditório do Hostal de los Reyes Catolicos. Torrente é adorado, mas eu pergunto-me se também o seria no caso de o seu romance Os Gozos e as Sombras não ter sido adaptado à televisão...
Chove em Santiago.
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